Não é lugar de mulher.

Não precisa de muito esforço, é só olhar. Nas salas de aula, nas empresas, nas emergências, blocos cirúrgicos, consultórios, por todos os lados, mulheres.

Na sala de emergência, perdi as contas de quantas vezes, em torno de um paciente em risco iminente de morte, estávamos nós: emergencistas, enfermeiras, técnicas de enfermagem, cirurgiãs… mulheres.

Na Medicina, houve aumento significativo no número de médicas formadas a cada ano, sendo maioria na faixa etária abaixo dos 29 anos, mas não era assim até pouco tempo. Dra. Themis Reverbel da Silveira, com seus mais de 80 anos e incansável na prática médica,  formada em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1964, estava nas primeiras levas de mulheres a concluírem o curso de Medicina no estado. De 100 alunos, “cinco ou seis” eram mulheres.

“O mercado de trabalho exige que a mulher seja apenas profissional e esqueça o resto. Sou a prova de que não precisamos abrir mão de nenhuma área das nossas vidas. Eu queria ser tudo: mulher, médica, mãe, esposa, professora e pesquisadora. E eu sou.” Dra. Themis Reverbel da Silveira

Em entrevistas – na íntegra nas nossas referências – ela cita trotes a que foi submetida no começo da faculdade: “Me obrigavam a servir cafezinho no centro acadêmico, descalça, cantando: medicina é papafina, não é coisa pra menina”. Conta também: “Uma vez, quis fazer estágio no Pronto Socorro e não deixaram porque não tinha banheiro para mulher médica.” Pois saiba, Themis: hoje a direção técnica, a coordenação da residência de Medicina de Emergência e grande parte das vagas nos programas de residência de um dos maiores hospitais de pronto socorro do país cabem a mulheres. Temos banheiro. Temos sonhos. Temos disciplina. Temos gratidão por aquelas vieram antes de nós.

“Me levanto sobre o sacrifício de um milhão de mulheres que vieram antes e penso o que é que eu faço para tornar esta montanha mais alta para que as mulheres que vierem depois de mim possam ver além.” Rupi Kaur

Ainda é comum ouvir de colegas médicas, que depois de muito trabalho duro, oferecendo o melhor atendimento que podiam, gastando tempo explicando o plano e o diagnóstico, falando com os familiares e se sentindo bem com o relacionamento que desenvolveram com o paciente escutam: “O médico não vai vir falar conosco?”. Incomoda. Não desanima (nem um pouco).

Seguimos em frente, cuidando inclusive com as armadilhas que podemos criar para nós mesmas e a “Síndrome da Impostora” é um bom exemplo: descreve a sensação que muitas sentem, quando não internalizam seu merecido sucesso. Em vez disso, sentem que seu sucesso não é merecido e desenvolvem medo de serem descobertos como uma “fraude”. Sentimento que geralmente piora durante os períodos de transição, como o início do internato ou da faculdade para a residência, mas saiba: se você está no lugar onde está, fazendo o que faz, é porque mereceu.

No nosso dia, que seja reforçada a nossa união. Que seja reforçada a alegria de convivermos com tantos homens que nos impulsionam e nos apoiam. Que seja reforçada a humanidade, a luta pela equidade e pelo amor. Não precisamos ser duras para sermos boas líderes. Não há problema que o amor siga como nosso maior combustível, em qualquer lugar que estivermos, porque lugar de mulher é onde ela quiser.

#elasEMtudo

O BreakEM quer convidar todas a mostrarem #elasEMtudo  –  Poste fotos no seu local de trabalho, de estudo, fazendo o que ama, com quem ama, junto de outras mulheres com a nossa hashtag #elasEMtudoFeliz Dia Internacional da Mulher!

 

mulher3

DICAS DE SITES

  1. FemInEM – Females working in Emergency Medicine
  2. NoWEM – Network ok women in Emergency Medicine

 

REFERÊNCIAS

  1. The State of Women in Academic Medicine: The Pipeline and Paths to Leadership, 2013 – 2014. American Association of Medical Colleges. Posted on July 26, 2016. Accessible at: https://www.aamc.org/members/gwims/statistics/
  2. Johnson Carolyn Y. The disturbing reason why we do not believe that black girls are really medical. Washington Post, October 2016
  3. Jena AB, Khullar D, Ho O, Olenski AR, Blumenthal DM. Sex Differences at the Academic Level in US Medical Schools in 2014. JAMA. 2015; 314 (11): 1149.
  4. Sege R, Nykiel-Bub L, Selk S. Sexual Differences in Institutional Support for Junior Biomedical Researchers. JAMA. 2015; 314 (11): 1175.
  5. Byington CL, Lee V. Addressing Disparities in Academic Medicine. JAMA. 2015; 314 (11): 1139. http://www.medscape.com/features/slideshow/public/femaleleadershipreport2015#page=
  6. Sexton KW, Hocking KM, Wise E, et al. Women in Academic Surgery: The Pipeline is Down. Journal of Surgical Education. 2012. 69 (1): 84-90
  7. Zhuge Y, Kaufman J, Master Simeone, Chen H, Velasquez OC. Is there still a glass ceiling for women in academic surgery? Annals of Surgery. 2011. 253 (4): 637-43.
  8. Simons, SS. Goddess ER: Yes, I’m really the doctor. News from Emergency Medicine. 2015; 37 (12): 8. doi: 10.1097 / 01.EEM.0000475569.69320.b9. https://journals.lww.com/em-news/FullText/2015/12000/ER_Goddess__Yes,_I_m_Really_the_Doctor.17.aspx
  9. Salkuku, J, Alexander, J. The Imposter Phenomenon. International Journal of Behavioral Science. 2011; 6 (1): 73-92
  10. Marchezan I. Themis Reverbel da Silveira: A médica que continua incansável aos 80 anos. Disponível em https://www.huffpostbrasil.com/2018/07/29/themis-reverbel-da-silveira-a-medica-que-continua-incansavel-aos-80-anos_a_23483319/
  11. Pin, D. Soska, J. Na luta para ser médica. Disponível em http://www.simers.org.br/noticia/na-luta-para-ser-medica

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